Archive for the ‘Curtas de férias’ Category

Acabou o carnaval! Pode tirar a fantasia!

12 de fevereiro de 2016

Acabou o carnaval! Seja quem tenha sido a escola campeã do desfile, seja qual o bloco tenha sido o mais animado, o ano do brasileiro finalmente vai começar!

No desfile de escolas de samba, quando o folião quer ser visto, coloca uma fantasia diferente de todo mundo (o destaque do carro alegórico). Quando curte o samba, mas prefere não ser notado, coloca a fantasia igual a de todos e desfila no meio da ala. O primeiro comportamento, muito comum entre os animais venenosos (peçonhentos) chama-se aposematismo. Ele faz questão de ser visto, pois todos já sabem que ele é perigoso e ninguém vai mexer com ele. O segundo comportamento comum entre os animais que, normalmente, não apresentam perigos chama-se mimetismo (conhecido também como camuflagem). Ele imita e se confunde com o meio que se encontra, para diminuir as chances de ser encontrado por um predador e ser consumido.

As borboletas são insetos muito bons em utilizar essas estratégias (algumas vezes são aposemáticas imitando animais peçonhentos ou grandes, mesmo não sendo) para escapar ou dificultar a sua predação (consumo por outros organismos como insetos maiores, pássaros e mamíferos. Muitas delas se confundem com troncos de árvores e folhas para não serem notadas. Hoje me deparei com uma borboleta que apresenta cores de um organismo mimético, pousada sobre uma superfície branca, ficando totalmente aposemática (veja na foto abaixo).

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Borboleta mimética ou aposemática? Ela quer se esconder ou quer aparecer? Foto: André M. Amado

Obviamente, essa borboleta foi fotografada fora do seu meio natural. Por isso, ela se destaca e perde sua grande estratégia de defesa que é se camuflar, ficando vulnerável e fragilizada!  Portanto, as transformações que os ambientes naturais sofrem, podem ter consequências negativas muito fortes para os organismos silvestres e para a biodiversidade (sob os mais variados pontos de vista).

Borboleta, o carnaval acabou! Melhor você descer o carro alegórico e desfilar no meio da multidão!  Se possível, volta para a mata que vai ser melhor!

Para mais fotos sobre borboletas no Brasil, visite esse site. Mais informações sobre as borboletas nesse site.

Por: André M. Amado.

 

O Rio continuo na Mata Atlântica

30 de dezembro de 2015

Em 1980, Vannote e colaboradores publicaram um artigo intitulado “The River continuum concept” (Traduzindo: O conceito do rio continuo). Nesse artigo os autores propuseram um modelo teórico que define que a composição de organismos (hábito é função trófica) bem como o metabolismo do rio (funcionamento do rio) é determinado pelas características físicas locais.

Próximos às nascentes (rios de baixa ordem; de 1a a 3a ordem) os rios são pequenos e se encaixam debaixo das árvores, de onde recebem os principais alimentos para seus organismos (decompositores, fragmentadores, adaptados ás correntezas, etc). No trecho médio (4a a 6a ordem) os rios tem leito mais largo, recebem mais luz solar e, por isso, os organismos do fitoplâncton e macrófitas aquáticas (plantas aquáticas) dão conta da produção de alimentos pela fotossintese. Na parte final (7a ordem em diante) os rios dependem bastante da interação com o fundo (sedimento) e se “nutrem” muito do que é trazido pelo próprio rio (como um sistema continuo, como diz o nome do conceito).

 

Foto riacho do Parque Imperial. Foto por André M. Amado

Esse modelo não contempla alguns tipos de rios, como aqueles em planícies de inundação (rios amazônicos, planície do Pantanal, entre outros). Para esses, o modelo de “pulso de inundação” é mais adequado (descrito no artigo por Junk e colaboradores 1989; link de interesse).

Hoje tirei fotos (acima e abaixo) em um rio de baixa ordem na Mata Atlântica (litoral de São Paulo). Nelas é possível identificar algumas características que sugerem que esse rio (e possivelmente os rios dessa região) se encaixe no modelo do rio continuo: pequena largura, rápida correnteza com pedras e relevo acidentado, alto sombreamento pela vegetação terrestre, presença de folhas e galhos no percurso do rio (alimento e/ou substrato para os organismos aquáticos). Por fim, a foto não comprova, mas afirmo: a água estava bem fresca e os mosquitos bastante ativos.

 

Detalhe de folhas e galhos sobre o rio. Foto por André M. Amado

 

Texto e fotos por: André M. Amado

Em tempos de Natal…

26 de dezembro de 2015

Iniciando a série: Curtas de Férias

Ontem foi o dia do Natal, quando a comunidade cristã comemora o dia do nascimento de Jesus. Me lembrei de uma passagem da sua vida quando caminhou sobre as águas.


Foto: André M. Amado

Num riacho da Mata Atlântica no litoral de São Paulo fotografei um organismo do Neuston, grupo de organismos (alguns peixes, insetos e aracnídeos) que fazem a mesma coisa, sem usar milagres. Eles usam o “poder” da tensão superficial da água para viver na superfície da água. 

Autor: André M. Amado

Referencia: livro Fundamentos de Limnologia 3a ed. Esteves, F. A. 2011. Interciencia.

Nota: os posts da série Curtas de Férias são escritos no celular. Possíveis erros serão editados o quanto antes.